Área exclusiva para Membros

VISCOSSUPLEMENTAÇÃO

INTRODUÇÃO

Verifica-se que o Ácido Hialurônico endógeno com o tempo, na articulação com osteoartrite, pode reduzir seu peso molecular e diminuir sua concentração geral, o que resulta em prejuízo das propriedades reológicas (viscosidade, elasticidade e absorção de impactos) do fluido sinovial e, com redução do seu importante papel homeostático entre anabolismo e catabolismo articular, contribuindo potencialmente para dor, rigidez e redução da mobilidade, levando a Osteoartrite (OA). Atualmente representa uma das principais causas de incapacidade no mundo.

A viscossuplementação (VS) é um procedimento médico planejado, constituída por: a) avaliação clínica, laboratorial bioquímica e de imagem do paciente com osteoartrite; b) escolha do portal de acesso intra-articular; c) infiltração do viscossuplemento na articulação; d) avaliação funcional imediatamente após o procedimento.

O viscossuplemento consiste em soluções lineares ou poliméricas de glicosaminoglicanos, como ácido hialurônico (HA), hialuronato e ácido hialurônico conjugado ou reticulado. Estudos mostram que a VS melhora a funcionalidade, a dor e a proteção mecânica e imunológica da articulação (1).

Consensos, revisões sistemáticas e meta-analises, predominantemente nos últimos 8 anos e artigos de entidades como a American College of Rheumatology (ACR ), Sociedade Americana de Medicina Esportiva (AMSSM), Declaração de Consenso Europeu sobre Suplementação na Osteoartrite do Joelho e Declaração de Consenso Brasileiro sobre Suplementação na Osteoartrite de Joelho (COBRAVI) suportam um grande volume de evidência cientifica para o seu uso na Osteoartrite.

No artigo, Incorporation of VS with Hyaluronic Acid in the List Procedures and Events in Health of Brazilian “ANS”, uma revisão sistemática de AM Tieppo et al. (2019), demonstra-se as evidências de que a VS, nos casos de osteoartrite do joelho e do quadril, é segura, eficaz, eficiente e economicamente melhor que outras abordagens (2).

A VS é utilizada por pesquisadores e membros da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), Sociedade de Reumatologia (SBR), Associação Brasileira de Medicina do Exercício e Esporte (ABMEE), Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e Sociedade Brasileira para Osteoartrite, Osteoporose e Sarcopenia (BRASOS) (1).

A Declaração do Consenso Brasileiro sobre Viscossuplementação de Osteoartrite do Joelho (COBRAVI-J), aponta altos níveis de concordância para o uso de VS em casos de OA do joelho, tanto na fase aguda quanto na crônica, graus II e III, segundo a classificação radiológica de Kellgren e Lawrence (1).

Em 2016, a Sociedade Médica Americana para Medicina do Esporte (AMSSM) recomendou o uso de VS para pacientes com OA de joelho. A Agência de Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMEA) indicam VS para osteoartrite do joelho. A Sociedade Internacional de Pesquisa em Osteoartrite (OARSI) e a Sociedade Europeia de Aspectos Clínicos e Econômicos da Osteoporose, Osteoartrite e Doenças Musculoesqueléticas (ESCEO), em seus Guidelines para tratamento da OA de 2019, prescrevem VS para programas de tratamento da OA. O Colégio Americano de Reumatologia (ACR) também recomenda VS na OA de joelho e quadril se houver falha de outros tratamentos conservadores, farmacológicos ou não farmacológicos.

Uma opção específica para VS existe para pacientes que não podem usar anti-inflamatórios não hormonais.

O EUROVISCO Recommendations for Optimizing the Clinical Results of Viscosupplementation in Osteoarthritis, (2018), recomendou que, na OA do Joelho, quanto mais cedo a VS for realizada, mais o paciente se beneficiará de seus efeitos farmacológicos.

A VS também é recomendada na osteoartrite de mãos e ombros, tendo também sido usada satisfatoriamente em lesões de partes moles como tendões, músculos e de bursas periarticulares.

A VS é considerada um tratamento importante, eficaz e necessário, não apenas em Osteoartrite do joelho e quadril, mas também em diferentes formas periféricas de osteoartrite, para melhora da dor, função e desempenho geral do paciente, atingindo resultados favoráveis por períodos mais longos do que os obtidos com administração de analgésicos, anti-inflamatórios não esteróides e hormonais.

Os estudos mostram melhores taxas de risco e custo/benefício da prescrição e aplicação da VS em comparação com outros tratamentos medicamentosos e/ou cirúrgicos. Pode reduzir o ônus econômico da osteoartrite no sistema de saúde público e privado.

Estudos evidenciam que a melhora da saúde articular promovida pela VS pode postergar ou mesmo evitar a necessidade de procedimentos cirúrgicos invasivos e dispendiosos como as artroplastias.

Ressalte-se que a VS não pode ser aplicada como um procedimento isolado. É fundamental que seja associada à medidas de regulação do imunometabolismo do paciente que, na maioria dos casos, está desequilibrado e serve como um fator de geração e sustentação da osteoartrite.

BIBLIOGRAFIA:

  1. Campos GC, Hamdan CP, Scala JCA, Tieppo AM, Cunha FG, Rezende MU, Alchaar AAA, Pinheiro CB, Rocha EMC, Souza EB, Pacheco I, Vieira MSR, Antonio SF, Menegassi ZJB – (COBRAVI) – Consenso Brasileiro em Viscossuplementação na Osteoartrite do Joelho, Acta ortop. bras.2019, ol.27, n.4, pp.230-236. http://dx.doi.org/10.1590/1413-785220192704218616. Crossref, Medline, Google Scholar, Gustavo Constantino de Campos, Eduardo Branco de Sousa, Paulo César Hamdan, Cyro Scala de Almeida, Antonio Martins Tieppo, Marcia Uchôa de Rezende, Adrieni Antunes do Amaral Alchaar, Carlos Bruno Pinheiro, Eduardo de Melo Carvalho Rocha, Fabiano Gonçalves Cunha, Ivan Pacheco, Mário Sérgio Rossi Vieira, Sílvio Figueira Antonio, Zartur José Barcelos Menegassi. BRAZILIAN CONSENSUS STATEMENT ON VISCOSUPPLEMENTATION OF THE KNEE (COBRAVI). Acta Ortop Bras. Jul-Aug 2019;27(4):230-236.DOI: 10.1590/1413-785220192704218616. PMID: 31452625
  2. AM Tieppo, CSA Junior, C. Gomes, ECM Rocha, PC Hamdan, LH Cheng, GC Cam, MU Rezende. Incorporation of VS with Hyaluronic Acid in the List Procedures and Events in Health of Brazilian “ANS”. Revista da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação – IMPRESS.